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TRANSPORTE INUSITADO
Canos gigantes flutuam até a Capital
(matéria Zero Hora 28/12/2010)
Peças de 515 metros de comprimento cada foram
trazidas desde São Paulo para ser usadas em rede
subaquática de esgoto
Depois de serem transportados por oito dias
pelas águas do Oceano Atlântico e da Lagoa dos
Patos, desde São Paulo, quatro canos de grande
porte chegaram à Capital ontem. O material irá
compor o sistema subaquático da rede de coleta
de esgoto do Projeto Integrado Socioambiental
(Pisa).
Fabricados pela empresa Brastubo, em São Vicente
(SP), os canos saíram do Porto de Santos no dia
17 em direção ao Porto de Rio Grande. No início
da manhã de domingo, seguiram em direção à
Capital pela Lagoa dos Patos, até a orla do
Guaíba.
Como os canos têm 515 metros de comprimento e
1m60cm de diâmetro cada, foi necessária uma
operação especial para transportá-los. O
inusitado é que as tubulações não foram
conduzidas ao Estado de navio. Agrupadas, elas
vieram flutuando puxadas por um rebocador, com o
auxílio de lanchas de apoio e de um barco
alinhador.
A bordo de uma embarcação, o prefeito José
Fortunati acompanhou na tarde de ontem o
transporte dos canos ao Pontal do Estaleiro, na
área do antigo Estaleiro Só.
Segundo dados da prefeitura, a Capital recolhe
80% do esgoto cloacal, mas trata apenas 27%.
Otimista, Fortunati espera que as obras do Pisa
possibilitem que o índice chegue a 77% em
dezembro de 2012.
– Estaremos devolvendo a balneabilidade do
Guaíba, teremos uma água de melhor qualidade –
destacou.
Segundo o coordenador de obras de saneamento do
programa, Valdir Flores, a instalação da
tubulação sob as águas do Guaíba deve começar
até o início de fevereiro e contará com o apoio
de mergulhadores. Serão 11 quilômetros
enterrados no leito do Guaíba, a uma distância
de cerca de cem metros da orla e a uma
profundidade entre quatro e 10 metros. Com um
investimento de R$ 84,5 milhões, a rede
subaquática será responsável pelo transporte do
esgoto da Estação de Bombeamento do Cristal até
a Estação de Tratamento de Esgoto da Serraria. É
também uma continuidade do emissário terrestre
que está tomando forma entre a Usina do
Gasômetro e as proximidades do entroncamento da
Diário de Notícias com a Wenceslau Escobar.
– Se a gente fizesse o transporte por terra,
praticamente impediria o trânsito na Wenceslau
Escobar – disse Flores.
A parte submersa da obra contará com um total de
22 canos. Outros quatro já chegaram a Rio
Grande..
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